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Este artigo é baseado nas reflexões publicadas no Relatório Anual de Meios Eletrônicos de Pagamentos, lançado pela CardMonitor, uma das publicações mais relevantes para o setor no Brasil.

Pelo terceiro ano consecutivo, Alexandro de Araújo, presidente da TNS para a América Latina, foi convidado a integrar o grupo dos 50 executivos mais relevantes do mercado de pagamentos, contribuindo com análises sobre os principais movimentos e desafios do ecossistema.

Na edição mais recente do relatório, Alexandro participou de um diálogo com Linconl Rocha, presidente da Associação PAGOS, discutindo as transformações estruturais que marcaram 2025 e os caminhos que começam a se desenhar para 2026.

Infraestrutura deixou de ser bastidor

O mercado de meios de pagamento viveu, em 2025, um momento de inflexão. O crescimento das transações, a entrada de novos players e a complexidade operacional crescente expuseram uma realidade que o setor já intuía: escalar sem coordenação aumenta o risco sistêmico.

Para Alexandro e Linconl, o último ano marcou a transição de um mercado focado apenas em expansão para um mercado preocupado com sustentação, confiabilidade e maturidade institucional.

Mais do que inovação, o que passou a definir o setor foi a densidade do ecossistema — mais tecnologia, mais atores e mais interdependência.

Como resume Linconl:

“2025 foi o ano em que o ecossistema entendeu, na prática, que não há mais protagonistas solitários. Bancos, fintechs, credenciadoras, provedores de tecnologia e associações passaram a depender ainda mais uns dos outros.”

Durante anos, grande parte da infraestrutura que sustenta os pagamentos digitais permaneceu invisível para o mercado. Conectividade, redundância de rede, compliance e continuidade operacional eram tratados como requisitos técnicos — não como fatores estratégicos.

Isso mudou.

Segundo Alexandro:

“Conectividade segura, redundância, compliance e continuidade operacional deixaram de ser bastidores e passaram ao centro da mesa. Quando o pagamento falha, não importa quão boa tenha sido a experiência até ali.”

À medida que os pagamentos se tornam parte essencial da vida cotidiana e da operação das empresas, a tolerância a falhas praticamente desaparece — e a infraestrutura passa a ser parte central da estratégia.

O avanço do modelo “as a service”

Outro movimento importante observado no setor foi a consolidação do modelo “as a service”.

Equipamentos, conectividade, software e suporte passaram a ser oferecidos cada vez mais como serviços contínuos — e não como ativos isolados.

Nas palavras de Alexandro:

“Terminais, conectividade, software e suporte passaram a ser pensados como serviço contínuo, não como ativo pontual. Isso muda a lógica financeira, operacional e até cultural do setor.”

Esse modelo reduz complexidade operacional e permite uma gestão mais eficiente de tecnologias críticas para o funcionamento das transações.

Regulação como parte do design do produto

Outro ponto que marcou o ano foi o amadurecimento do debate regulatório no setor.

Se no passado a regulação era vista por alguns como um obstáculo à inovação, hoje ela passou a ser incorporada desde o início do desenvolvimento de produtos.

Como destaca Alexandro:

“Em 2025 ficou claro que não existe inovação relevante fora do perímetro regulatório — e isso não é um freio, é um filtro de qualidade.”

Esse entendimento também reforça a necessidade de um ambiente competitivo equilibrado.

Segundo ele:

“Regulação não deve proteger modelos de negócio, mas o funcionamento do mercado como um todo.”

Inteligência Artificial: mais potencial fora do que dentro

A inteligência artificial dominou discussões e eventos do setor ao longo do último ano, mas sua aplicação ainda está concentrada principalmente em eficiência interna.

Para Alexandro, o verdadeiro potencial da tecnologia está em aplicações mais amplas dentro do ecossistema de pagamentos.

“Usamos IA majoritariamente para dentro, quando o maior potencial está para fora.”

Isso inclui aplicações como:

  • orquestração inteligente de rotas de pagamento

  • prevenção de falhas antes que se tornem incidentes

  • personalização dinâmica da experiência no ponto de venda

  • melhorias em atendimento e suporte

Mas ele ressalta um ponto importante:

“IA boa é aquela que devolve tempo e discernimento às pessoas.”

Open Finance: infraestrutura pronta, narrativa em construção

O Open Finance brasileiro representa uma das arquiteturas mais sofisticadas já implementadas no sistema financeiro do país. A base tecnológica e regulatória está estabelecida.

O desafio agora é outro.

Como explica Alexandro:

“A infraestrutura existe, é sólida e bem desenhada. O que ainda está em aberto não é o como, mas o para quê.”

Para Linconl, o principal desafio está em transformar dados compartilhados em benefícios claros para o usuário.

“A infraestrutura chegou antes da narrativa.”

O verdadeiro valor do Open Finance surgirá quando o cliente perceber claramente o benefício das jornadas integradas e da personalização baseada em dados.

2026: o ano da consequência

Se 2025 foi o ano do amadurecimento, 2026 tende a ser o momento em que as decisões tecnológicas e estratégicas começarão a mostrar seus resultados.

Segundo Alexandro:

“2026 se desenha como o ano da consequência. O mercado não vai mais tolerar improviso travestido de inovação.”

No fim, a lógica do setor continua sendo guiada por um princípio simples, mas essencial:

“Pagamentos são, antes de tudo, um pacto de confiança.”

E é justamente essa confiança – construída por infraestrutura resiliente, regulação equilibrada e inovação responsável – que definirá os próximos capítulos do mercado de pagamentos.

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